sábado, 17 de junho de 2017

Grãos, cães e repetições.

Pela terceira vez, naquela tarde quase encerrada, dei o "bom garoto" sincero e protocolar aos ouvidos atentos de Baldo. Atirei aquele osso, provavelmente seu favorito, a boa distância de onde estávamos, ainda que não do tamanho daquela atingida no terceiro lançamento. Era o cenário usual de amigos investindo seus tempos na praia e ignorando barreiras de ordem ou gênero. O diálogo monótono e profundo entretanto cessara: Baldo não correu. Me fitou com a sinceridade canina que os humanos perdem aos 16, 18 anos. Mostrou alegria tal qual aquela raríssima dos momentos que jamais desejaríamos acabassem. Em seguida, Baldo simplesmente se deita na areia, com sua pelagem que mesmerizava quando próxima aos grãos. Observei, e Baldo também, o mar levando tão facilmente aquele osso.
Meu amigo, contanto, apenas latiu em direção à nossa casa. Recordei de seu tataravô, fiel companheiro de papai. E praticamente vi meu velho em minha frente, como quando das rodas de conversa perto de uma fogueira, em tantos acampamentos com toda a família. Enfim, me dei conta de que finalmente compreendera: "Os cães, sabem das coisas". Não por pouco, o velho Geraldo foi chamado sábio, já em sua juventude (mamãe o disse). Sr. Canilo e ele tornaram-se inseparáveis como Baldo e eu.
Já se via os tons melancólicos da hora do adeus ao Sol quando limpávamos nossos pés e patas no tapete de boas vindas. Pulei no sofá, olhei acima, contemplando alguma coisa, enquanto buscava dormir, apagar da vigília, etc....
Baldo deitou aos pés do sofá, mirando-me. Recordei dos ossos que persegui. Semiextasiado, constatei que a genética e o acaso formam um belo par. Talvez a inocência ou ignorância da perda nos aproxime dos cães, e isso não seja motivo de vergonha. Quem sabe eles se safam por conseguir adormecer em qualquer lugar. Acordei com 7 anos de idade, novamente. Papai brincava com Sr. Canilo na praia. Qual será o motivo do latido em direção à sacada?


Aleph.

sábado, 6 de maio de 2017

Ela-Lírico

Recolhi as fendas do tempo,
Encontrando um riso perdido no vento,
Configurando uma luz num caminho em desbotamento,
Que carregava a poeira de meu alento.
Quando é que vais voltar?
Temo que a tragédia não venha a acabar...
De que forma aprecio eu a vida sem você?
Onde estão os braços em que posso me recolher,
Cadê a festa que juramos fazer?
Se o teu heroísmo, dizem, na guerra ser
Discordo e rogo para que te façam crer:
Uma promessa de eterna companhia
Não poderias me conceder.
Ainda espero, e nos cabides deixo seu terno,
Cuidado diário do retorno eterno,
Folheando as primeiras juras que escrevestes em um velho caderno,
Este agora tão inundado da vida seca em que me pego.
Sem o café na tua boca que eu saboreava de perto,
Sem parques com jardins cheios de flores ou céus abertos...

domingo, 30 de abril de 2017

Faço Poemas

FAÇO POEMAS

Faço, faço, faço,

Poemas sem parar,

Pois esta é minha vida,

Minha maneira de pensar,

Faço, finjo, acho,

Corro, pego e falo,

Aquilo que vem ao coração,

Vem de uma maneira sem noção,

Que abala uma multidão,

Deixando todos ao chão,

De tamanha emoção,

Mas eu não posso ficar com pena,

Daqueles que chorar,

Pois aquilo que falei,

Novamente torno a falar,

E aqueles que ficarem contra,

Por favor, vão se calar,

Pois aquilo que eu falar,

Na multidão há de ficar,

Pois a todos eles eu hei de emocionar,

Com tamanha grandeza e sabedoria,

Que o amor veio nos ensinar,

Que a todos devemos amar,

Para que em paz,

Todos possamos ficar.

Jacob De France

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Deixe de Expectar

Não registre,
Hesite emoldurar.
Quadros e fotos assistem o fim,
Assistem AO fim, visto que é assim:
Vivemos contemplando o passado, o que nos foi levado.
Presenteio-me, muito melhor que futurizo ou empasseio...
Valorizo-te, bem mais o instante vívido e vivido, que o simples devaneio: lembrança desbotada e menos saborosa.
Eu sorrio agora, sem foto e sem memória, cada segundo pioneiro...
A gente vive bem melhor, com amor, com prosa, com poema e com AGORA.
Sem espera, sem projeções, enaltecendo cada suspiro como fosse o primeiro!
Siga a estética do que te arrepia o cabelo.


Aleph.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Amor e Amizade

AMOR E AMIZADE

Amor e amizade,

Nasce em qualquer idade,

Éramos grandes amigos,

Mas nasceu dentro de mim,

Este grande amor assim,

Mas por outro você se apaixonou, 

E com ele namorou,

Até um dia você com ele noivou,

Causando em mim grande amargura,

Cada segundo era uma tortura,

Vaguei sozinho pela rua,

Sentindo saudades sua,

Sem saber o que fazer,

Meu pranto veio a correr,

As lágrimas caíram ao chão,

O mundo todo perdeu a razão,

E eu sem saber o que fazer,

Fugi, corri, tentei me esconder,

Não consegui resistir,

Quando na rua te vi a sorrir,

Vindo em minha direção,

Fiquei totalmente sem ação,

Você veio me dizendo,

Que também estava sofrendo,

Que com ele tudo terminou,

E que agora tudo acabou,

Meu coração quase veio a explodir,

Quando você me disse a sorrir,

Que sou o amor da sua vida,

E que somente seremos felizes de verdade,

Se ficarmos juntos para toda eternidade,

Meu pranto na hora saiu,

Minha boca sem querer sorriu,

Chorei de emoção,

Ao saber que a dona do meu coração,

A tudo resolveu largar,

Para ao meu lado sempre poder ficar.

JACOB DE FRANCE

Fim da Linha

FIM DA LINHA

Sentindo meu peito arder,

Em minha cabeça uma voz a ecoar,

Meu pranto começou a correr,

Com o seu adeus a me deixar,

Mulher bandida, mulher vazia,

Deu-me somente agonia,

Encheu-me de promessa e alegria,

Enxerguei a luz, vi poesia,

Sozinho agora estou,

Pois meu coração você levou,

Vai ser difícil encontrar,

Um novo caminho a trilhar,

Enfim eu decidi,

Que a morte vou seguir,

Sei que é somente uma fuga,

Para esta dor que não tem cura,

Mas só encontrei esta saída,

Para esquecer você minha querida,

Porque sua ausência foi assim,

O fim da linha para mim.

JACOB DE FRANCE